quarta-feira, 30 de agosto de 2023

REVISÃO

 

EIXOS INTERAGIR E BRINCAR

Os eixos estruturais, interagir e brincar, são importantes para que a criança consolide sua aprendizagem. É a partir da brincadeira e da interação que ela desenvolve, nesta etapa, as estruturas, habilidades e competências que serão importantes ao longo de toda a vida.

A seguir, vamos explicar os novos focos da BNCC na Educação Infantil:  os direitos de aprendizagem e os campos de experiências, além da divisão da faixa etária e a nomenclatura usada para as etapas deste segmento. Vamos lá?

A BNCC na Educação Infantil estabelece seis direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. São eles que asseguram as condições para que as crianças “aprendam em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural” (BNCC).

DIREITOS DE APRENDIZAGEM

Confira abaixo como esses direitos de aprendizagem aparecem no documento da BNCC na Educação Infantil e a proposta de cada um deles:

Conviver

Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.

Atividades que contemplam esse direito

Há inúmeras atividades que a escolinha pode fazer para trabalhar com o direito de conviver. Algumas ideias possíveis são: jogos; atividades em grupos; passeio com as crianças pela vizinhança da escola, colocando-as em contato com a comunidade ao redor; lanches coletivos na sala de aula; dia do brinquedo (no qual cada criança traz um brinquedo de casa para brincar com o coleguinha); e criação de uma hortinha na escola feita pelas crianças em conjunto com o professor.

Brincar

Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.

Atividades que contemplam esse direito

Alguns exemplos de atividades que podem ser feitas para contemplar esse direito são: brincar no parquinho da escola; brincar de bambolê; encenar uma pequena peça de teatro; dançar; usar brinquedos educativos divertidos; brincar de argila; fazer artesanato com sucata; fazer um dia temático no mês em que a criança pode vir fantasiada para um determinado tema; e fazer desenhos.

Participar

Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.

Atividades que contemplam esse direito

 

Há algumas formas de colocar esse direito de aprendizagem em prática. Uma delas é criar um leque de atividades para que os alunos escolham qual querem fazer durante cada dia em sala de aula. Outra é definir uma atividade que possui etapas nas quais possam ser feitas escolhas, e deixar que os alunos participem dessas escolhas. A escola também pode realizar passeios com a turminha e dar algumas opções de locais para que os pequenos escolham.

 

Explorar

Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.

Atividades que contemplam esse direito

Entre as atividades que a escolinha pode fazer para trabalhar com esse direito estão: disponibilizar às crianças texturas como isopor, tecido áspero, tecido macio, entre outros, para que elas toquem; disponibilizar materiais naturais, como areia, pedras, conchas e lã; disponibilizar objetos com consistências diferentes, duras e moles; incentivar para que os pequenos contem histórias que aconteceram com eles; fazer trabalhos com tinta guache etc.

Expressar

Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens.

Atividades que contemplam esse direito

Entre as possibilidades que as escolinhas têm para trabalhar com esse direito estão: chamar cada criança para compartilhar com a turma alguma experiência, como o que ela fez no fim de semana por exemplo; criar rodas de conversa e introduzir assuntos nelas, para que as crianças opinem sobre ele; começar a contar uma historinha e pedir que cada criança diga o que acha que aconteceu no final; entre outras.

Conhecer-se

Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário

Atividades que contemplam esse direito

 

Há muitas atividades que trabalham esse direito. Algumas delas são: promover rodas de conversas nas quais o professor faz perguntas sobre um tema e as crianças começam a falar do que elas gostam e do que não gostam com relação a ele; criar uma dinâmica na qual as crianças falam das famílias delas e o que fazem; pedir que as crianças se desenhem no papel; fazer brincadeira de contorno do corpo em um papelão; mostrar bebês para o espelho para que eles se observem etc.

Se percebermos, todos estes direitos são verbos de ação. E o que isso pressupõe no contexto da Educação Infantil? É a partir destas ações, utilizando os campos de experiência (que vamos abordar no próximo tópico), que as crianças consolidam todos os seus direitos de aprendizagem.


BNCC na Educação Infantil: Campos de experiência

Como vimos anteriormente nesse post, as interações e as brincadeiras fazem parte dos eixos estruturais da Educação Infantil e são eles que asseguram às crianças os direitos de aprendizagem.  Levando isso em consideração, a BNCC na Educação Infantil é estruturada em cinco campos de experiência.

De acordo com a Base:

Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. A definição e a denominação dos campos de experiências também se baseiam no que dispõem as DCNEI em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a ser propiciados às crianças e associados às suas experiências.

(BNCC)

Assim, ao considerar esses saberes e conhecimentos, a BNCC estrutura os campos de experiência da seguinte forma:

O eu, o outro e o nós
 PERSONALIDADE AUTONOMIA DIFERENÇAS

É a partir da interação e do convívio com outras crianças, que a criança começa a construir sua identidade e a descobrir o outro. Quando ela chega na escola, seu foco é seu próprio mundo (EU). Com o trabalho realizado no ambiente escolar, ela passa a perceber seus colegas (OUTRO) e logo está interagindo no meio dos outros (NÓS).

Portanto, é na Educação Infantil que a criança amplia sua autopercepção, assim como a percepção do outro. Além de valorizar sua identidade, ela aprende a respeitar os outros e a reconhecer as diferenças entre ela e seus colegas.

Corpo, gestos e movimentos
 NOÇÃO DE ESPAÇO AUTONOMIA CENTRALIDADE INDEPENDÊNCIA CORPORAL

A criança explora o espaço em que vive e os objetos a sua volta com o corpo, por meio dos sentidos, gestos e movimentos. É nesse contexto – a partir das linguagens como música, dança, teatro e brincadeiras – que elas estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos.

É na Educação Infantil que o corpo das crianças ganha centralidade. Por isso, é importante que a escola promova atividade lúdicas com interações, nas quais as crianças possam “explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo (tais como sentar com apoio, rastejar, engatinhar, escorregar, caminhar apoiando-se em berços, mesas e cordas, saltar, escalar, equilibrar-se, correr, dar cambalhotas, alongar-se etc.)” (BNCC)

Traços, sons, cores e formas
CRIATIVIDADE SENSO CRÍTICO SENSO ESTÉTICO

A convivência com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas no espaço escolar possibilita a vivência de várias formas de expressão e linguagens. A partir dessas experiências, as crianças desenvolvem seu senso estético e crítico, além da autonomia para criar suas produções artísticas e culturais.

Dessa forma, é de extrema importância para a criança da Educação Infantil o contato com as artes visuais, música, teatro, dança e audiovisual, para que ela possa desenvolver sua sensibilidade, criatividade e sua própria maneira de se expressar.

Escuta, fala, pensamento e imaginação
 OUVIR EXPRESSAR-SE ORALMENTE  CULTURA ESCRITA LEITURA

O contato com experiências nas quais as crianças possam desenvolver sua escuta e fala são importantes para sua participação na cultura oral, pertencente a um grupo social. Além da oralidade, é fundamental que a criança inicie seu contato com a cultura escrita a partir do que já conhecem e de suas curiosidades.

Ao escutar histórias, participar de conversas, ter contato com livros, as crianças irão desenvolver, além de sua oralidade, a compreensão da escrita como uma forma de comunicação.

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
 SITUAR-SE NO ESPAÇO MUNDO FÍSICO MUNDO SOCIOCULTURAL

A importância da participação da família

Para que os direitos de aprendizagem e os campos de experiência determinados pela BNCC na educação infantil sejam explorados com mais eficácia, é fundamental que as famílias também participem. Essa participação vai desde a conferência da rotina diária do pequeno que é enviada pela escolinha até a realização de atividades em casa orientadas pelos professores.

Para tanto, é fundamental que haja um bom relacionamento e uma comunicação constante entre creches e pré-escolas e as famílias. Com essa parceria e essas trocas, o desenvolvimento das crianças é muito enriquecido, pois não fica limitado ao período em que elas ficam na escola. Então, busque promover essa parceria!

A criança da Educação Infantil está inserida em um mundo de descobertas, com espaços e tempos de diferentes dimensões. Logo, é nessa idade que ela começa a despertar sua curiosidade para o mundo físico, seu corpo, animais, plantas, natureza, conhecimentos matemáticos, bem como para as relações do mundo sociocultural.

Por isso, a BNCC entende que, na Educação Infantil, a escola “precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações.”

Dessa forma, a instituição cria oportunidades para a criança ampliar seu conhecimento de mundo, de modo a utilizá-los em seu cotidiano. A divisão etária é estruturada de acordo com a imagem abaixo:

bncc-infantil

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

FORMAS E ESPECIFICIDADES DO PLANEJAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ORGANIZAR, OUVIR E REVER

 

Formas e especificidades do planejar na Educação Infantil: organizar, ouvir e rever

 É fundamental pensar a Educação Infantil como um direito garantido para as crianças de zero a 5 anos. Educação que implica formação, espaços físicos, equipe de apoio, organização pedagógica e envolvimento de muitas pessoas. A constituição da prática pedagógica com as crianças e para as crianças instiga ao traçar modos de fazer, testar, criar, registrar, entendendo o processo de planejar como fio condutor de descobertas, de possibilidades, de reflexão. Ostetto (2012) considera que “planejar é essa atitude de traçar, projetar, programar, elaborar um roteiro para empreender uma viagem de conhecimento, de interação, de experiências múltiplas e significativas para com o grupo de crianças.” (OSTETTO, 2012, p. 1).

Esse planejamento deve buscar intencionalidade em todo esse processo de ensino-aprendizagem. No planejamento destinado à Educação Infantil, é primordial que o professor valorize as situações vividas pelas crianças, a fim de que se resolvam conflitos, superem preconceitos e se conheçam. Para isso, é preciso que haja diferentes maneiras de se planejar essas atividades.

Existem categorias de planejamento para que os professores possam executar seus planejamentos de maneira sempre adequada e correspondendo às necessidades das crianças, conforme a faixa etária. Ostetto (2011) descreve os planejamentos como os projetos baseados em datas comemorativas, temas de interesses, aspectos do desenvolvimento e listagem de atividades para buscar organizar diferentes atividades para as crianças.

Independentemente da forma de planejar, é fundamental o cuidado com o contexto e com as necessidades das crianças, a fim de superar uma organização autocêntrica, fundamentada no preenchimento do tempo como destaca Ostetto (2011). Segundo a autora, muitas vezes “o professor busca, então, organizar vários tipos de atividades para realizar durante cada dia da semana” (OSTETTO, 2011, p. 2).

PROJETOS

Para tanto, existem diferentes tipos de planejamentos utilizados na Educação Infantil. Um dos modos de planejar nesse segmento é por projetos, os quais devem trazer componentes que as crianças identifiquem e possam propor conhecimentos para o seu dia a dia. Para Barbosa et al. (2011, p.46), “um projeto é a procura da solução de um ato problemático levado à realização completa em um ambiente real, tendo um compromisso com a transformação da realidade”.

PROJETOS DATAS COMEMORATIVAS

Os planejamentos baseados em datas comemorativas se baseiam no calendário. Neles, professoras buscam organizar atividades referentes a feriados nacionais e datas supostamente importantes para o conhecimento da criança. Podemos citar, por exemplo, as atividades voltadas para o Carnaval, o Dia do índio, a Páscoa, o Dias das Mães e o Dia dos Pais, etc. Ostetto (2011) destaca que este formato de planejamento vem da ideia de heróis e vencedores, de maneira ideológica e política, pois algumas datas são comemoradas e outras não. Conforme a autora, é importante destacar que muitas atividades são apenas elaboradas para executar cronogramas, sem ter realmente significado para a criança.

O tema do planejamento por datas comemorativas também é abordado por Maia (2011), que apresenta e discute os aspectos históricos dessa forma de planejar: Datas são conservadas e valorizadas, muitas vezes, em nome de uma tradição que justifica sua manutenção. Tradição que constitui e mantém a identidade de uma sociedade ou grupo que se reconhece nas histórias, nas ideias e sentimentos perpetuados (MAIA, 2017, p. 3). A autora ainda ressalta que precisamos refletir sobre o porquê de algumas datas e não outras, enfatizando a relação com o contexto, com a comunidade, com a diversidade.

PLANEJAMENTO POR TEMAS DE INTERESSE

O planejamento por temas de interesse é estruturado na proposta de Ovide Decroly, que valorizava as escolhas da criança e definia estes interesses em cinco grandes áreas: a criança e a família; a criança e a escola; a criança e o mundo animal; a criança e o mundo vegetal; a criança e o mundo geográfico, a criança e o universo. Estas grandes áreas poderiam substituir os planos de estudo construídos com base em disciplinas. Ostetto (2011, p. 185) destaca que “os temas escolhidos pelo professor, sugeridos pelas crianças ou sugeridos de situações particulares e significativas vivenciadas pelo grupo, indicam o trabalho a ser desenvolvido”.

PLANEJAMENTO A PARTIR DOS ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

 É possível também organizar o planejamento com base nos aspectos do desenvolvimento, o que tem origem nos estudos da psicologia, com ênfase a partir da década de 70. Os escritos de Piaget e Vygotsky, dentre outros autores, tratam das fases de desenvolvimento infantil, como apontam Eidt e Ferracioli (2007, p. 109).

No planejamento pelos aspectos do desenvolvimento, o professor precisa compreender como a criança se desenvolve e aprende, respeitando sua faixa etária. De acordo com Ostetto (2011), é preciso cuidado, pois muitos professores, ao utilizarem esse planejamento baseado em aspectos gerais da criança, deixam de tomar cuidado com as características individuais. A autora ressalta que se trata de uma maneira interessante ao organizar as propostas com as crianças, o que, por sua vez, exige profundo conhecimento e discernimento para se planejar o que é geral de cada etapa, sem se perder de vista o específico de cada criança, de seu tempo e de sua realidade.

PLANEJAMENTO LISTAGEM DE ROTINA

 Outra forma identificada é a organização da rotina com uma listagem de atividades. Essa maneira de planejar é entendida por Ostetto (2011) como rudimentar, pois apenas se preocupa em ocupar o tempo de trabalho realizando diferentes atividades a cada dia da semana. A listagem de atividades quase não pode ser classificada como planejamento, dado que a intencionalidade do educador não está marcadamente definida considerando-se princípios educativos, muito embora exista, por trás dessa prática, uma concepção, mesmo que implícita, de criança e educação infantil. Poderíamos assinalar que a criança que aparece é uma criança passiva, sem particularidades ou necessidades específicas, que espera pelo atendimento do adulto, sem nada a dizer ou expressar (OSTETTO, 2011). Dentre as possibilidades e formas do planejar, o que ecoa na prática? Seguimos apresentando algumas considerações tecidas com base no que nos dizem as professoras da Educação Infantil.



ARTIGO

Planejamento na educação infantil: entre necessidades, saberes e práticas Planificación en la educación infantil: entre necesidades, conocimientos y prácticas Adriana Nicolaio Graduação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná – Brasil. adriielucas@hotmail.com Marcela Pontarolo Gruvald Graduação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná – Brasil. marcelapontarolo@hotmail.com Daiana Camargo Doutora em Ciências da Educação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná - Brasil. camargo.daiana@hotmail.com

EXERCÍCIO

  ATIVIDADE 4 Responda: 1 – Segundo a BNCC quais são os sete pontos em avaliação na Educação Infantil que devemos dar atenção? Explique ...