quarta-feira, 9 de agosto de 2023

FORMAS E ESPECIFICIDADES DO PLANEJAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ORGANIZAR, OUVIR E REVER

 

Formas e especificidades do planejar na Educação Infantil: organizar, ouvir e rever

 É fundamental pensar a Educação Infantil como um direito garantido para as crianças de zero a 5 anos. Educação que implica formação, espaços físicos, equipe de apoio, organização pedagógica e envolvimento de muitas pessoas. A constituição da prática pedagógica com as crianças e para as crianças instiga ao traçar modos de fazer, testar, criar, registrar, entendendo o processo de planejar como fio condutor de descobertas, de possibilidades, de reflexão. Ostetto (2012) considera que “planejar é essa atitude de traçar, projetar, programar, elaborar um roteiro para empreender uma viagem de conhecimento, de interação, de experiências múltiplas e significativas para com o grupo de crianças.” (OSTETTO, 2012, p. 1).

Esse planejamento deve buscar intencionalidade em todo esse processo de ensino-aprendizagem. No planejamento destinado à Educação Infantil, é primordial que o professor valorize as situações vividas pelas crianças, a fim de que se resolvam conflitos, superem preconceitos e se conheçam. Para isso, é preciso que haja diferentes maneiras de se planejar essas atividades.

Existem categorias de planejamento para que os professores possam executar seus planejamentos de maneira sempre adequada e correspondendo às necessidades das crianças, conforme a faixa etária. Ostetto (2011) descreve os planejamentos como os projetos baseados em datas comemorativas, temas de interesses, aspectos do desenvolvimento e listagem de atividades para buscar organizar diferentes atividades para as crianças.

Independentemente da forma de planejar, é fundamental o cuidado com o contexto e com as necessidades das crianças, a fim de superar uma organização autocêntrica, fundamentada no preenchimento do tempo como destaca Ostetto (2011). Segundo a autora, muitas vezes “o professor busca, então, organizar vários tipos de atividades para realizar durante cada dia da semana” (OSTETTO, 2011, p. 2).

PROJETOS

Para tanto, existem diferentes tipos de planejamentos utilizados na Educação Infantil. Um dos modos de planejar nesse segmento é por projetos, os quais devem trazer componentes que as crianças identifiquem e possam propor conhecimentos para o seu dia a dia. Para Barbosa et al. (2011, p.46), “um projeto é a procura da solução de um ato problemático levado à realização completa em um ambiente real, tendo um compromisso com a transformação da realidade”.

PROJETOS DATAS COMEMORATIVAS

Os planejamentos baseados em datas comemorativas se baseiam no calendário. Neles, professoras buscam organizar atividades referentes a feriados nacionais e datas supostamente importantes para o conhecimento da criança. Podemos citar, por exemplo, as atividades voltadas para o Carnaval, o Dia do índio, a Páscoa, o Dias das Mães e o Dia dos Pais, etc. Ostetto (2011) destaca que este formato de planejamento vem da ideia de heróis e vencedores, de maneira ideológica e política, pois algumas datas são comemoradas e outras não. Conforme a autora, é importante destacar que muitas atividades são apenas elaboradas para executar cronogramas, sem ter realmente significado para a criança.

O tema do planejamento por datas comemorativas também é abordado por Maia (2011), que apresenta e discute os aspectos históricos dessa forma de planejar: Datas são conservadas e valorizadas, muitas vezes, em nome de uma tradição que justifica sua manutenção. Tradição que constitui e mantém a identidade de uma sociedade ou grupo que se reconhece nas histórias, nas ideias e sentimentos perpetuados (MAIA, 2017, p. 3). A autora ainda ressalta que precisamos refletir sobre o porquê de algumas datas e não outras, enfatizando a relação com o contexto, com a comunidade, com a diversidade.

PLANEJAMENTO POR TEMAS DE INTERESSE

O planejamento por temas de interesse é estruturado na proposta de Ovide Decroly, que valorizava as escolhas da criança e definia estes interesses em cinco grandes áreas: a criança e a família; a criança e a escola; a criança e o mundo animal; a criança e o mundo vegetal; a criança e o mundo geográfico, a criança e o universo. Estas grandes áreas poderiam substituir os planos de estudo construídos com base em disciplinas. Ostetto (2011, p. 185) destaca que “os temas escolhidos pelo professor, sugeridos pelas crianças ou sugeridos de situações particulares e significativas vivenciadas pelo grupo, indicam o trabalho a ser desenvolvido”.

PLANEJAMENTO A PARTIR DOS ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

 É possível também organizar o planejamento com base nos aspectos do desenvolvimento, o que tem origem nos estudos da psicologia, com ênfase a partir da década de 70. Os escritos de Piaget e Vygotsky, dentre outros autores, tratam das fases de desenvolvimento infantil, como apontam Eidt e Ferracioli (2007, p. 109).

No planejamento pelos aspectos do desenvolvimento, o professor precisa compreender como a criança se desenvolve e aprende, respeitando sua faixa etária. De acordo com Ostetto (2011), é preciso cuidado, pois muitos professores, ao utilizarem esse planejamento baseado em aspectos gerais da criança, deixam de tomar cuidado com as características individuais. A autora ressalta que se trata de uma maneira interessante ao organizar as propostas com as crianças, o que, por sua vez, exige profundo conhecimento e discernimento para se planejar o que é geral de cada etapa, sem se perder de vista o específico de cada criança, de seu tempo e de sua realidade.

PLANEJAMENTO LISTAGEM DE ROTINA

 Outra forma identificada é a organização da rotina com uma listagem de atividades. Essa maneira de planejar é entendida por Ostetto (2011) como rudimentar, pois apenas se preocupa em ocupar o tempo de trabalho realizando diferentes atividades a cada dia da semana. A listagem de atividades quase não pode ser classificada como planejamento, dado que a intencionalidade do educador não está marcadamente definida considerando-se princípios educativos, muito embora exista, por trás dessa prática, uma concepção, mesmo que implícita, de criança e educação infantil. Poderíamos assinalar que a criança que aparece é uma criança passiva, sem particularidades ou necessidades específicas, que espera pelo atendimento do adulto, sem nada a dizer ou expressar (OSTETTO, 2011). Dentre as possibilidades e formas do planejar, o que ecoa na prática? Seguimos apresentando algumas considerações tecidas com base no que nos dizem as professoras da Educação Infantil.



ARTIGO

Planejamento na educação infantil: entre necessidades, saberes e práticas Planificación en la educación infantil: entre necesidades, conocimientos y prácticas Adriana Nicolaio Graduação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná – Brasil. adriielucas@hotmail.com Marcela Pontarolo Gruvald Graduação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná – Brasil. marcelapontarolo@hotmail.com Daiana Camargo Doutora em Ciências da Educação Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG Ponta Grossa, Paraná - Brasil. camargo.daiana@hotmail.com

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